SEMINÁRIO SÃO VICENTE PALLOTTI
MOÇAMBIQUE - ÁFRICA

 

Partilhamos com os amigos leitores da revista Rainha uma experiência de construção de um novo Seminário em terras de missão, fato que ocorreu justamente nesse ano em que a Revista completa noventa anos de serviço à Igreja e à Sociedade do Apostolado Católico. Por causa disso nos sentimos honrados em partilhar exatamente nesse momento histórico a nossa experiência de produção de um ambiente propício para a formação daqueles que acreditamos irão continuar a obra palotina em terras moçambicanas e no mundo. Os leitores poderiam se perguntar: mas ainda é possível e necessário construir um seminário? Com que recursos? Será que há vocações na África? Vale a pena investir nas vocações nativas? Essas são todas perguntas pertinentes e que o tempo vai se encarregar de dar as respostas.

 Por ora, nós que estamos nestas terras achamos que era possível e necessário construir um espaço adequado para a formação, e somente depois de um tempo suficiente em Moçambique é que decidimos levar adiante esse projeto. Durante esse período, fomos percebendo que era possível sonhar com esse espaço e, para tal, tivemos de procurar recursos fora de Moçambique.

A ideia foi apelar para as almas generosas das paróquias palotinas espalhadas pelo mundo, e, com a graça de Deus, tivemos apoio econômico de uma paróquia palotina dos Estados Unidos da América e de outros colaboradores espalhados pelo mundo. A todos os colaboradores, a nossa imensa gratidão!

Somente pela convicção de que, nessas terras, o Senhor continua a chamar jovens para o serviço do Reino é que apostamos nesse projeto de construção. Acreditamos que este é o momento da graça, por isso não podemos deixá-lo passar e devemos confiar em Deus para Ele prover as vocações necessárias à Igreja, assim como a difusão do carisma palotino pelo mundo.

Em termos de números, informamos aos leitores que, no momento, estão em nossas casas de formação vinte e dois seminaristas moçambicanos, sendo oito no seminário menor, sete no Postulado, três no Noviciado e quatro na Filosofia e naTeologia.

Acreditamos ser necessário termos vocações nativas por três razões fundamentais. Primeira razão: A Igreja é, na sua essência, missionária e, para isso, sem nenhuma resistência, deve confiar e formar pessoas de todas as partes do mundo para evangelizar. Este é um processo normal e que, se olharmos para a história da Igreja e na difusão do Evangelho pelo mundo, encontraremos outros exemplos que fundamentam essa maneira de pensar e proceder da Igreja. Segunda razão: Não menos importante, é que precisamos pensar no futuro e naqueles que vão continuar a missão nestas terras, visto que não há muita gente disposta a fazer essa experiência missionária além-fronteiras.

Terceira razão: Diz respeito às dificuldades que nós estrangeiros enfrentamos para fazer o trabalho nestas terras. Duas dificuldades mais acentuadas: a primeira é a de nos acostumarmos com as limitações de saúde, principalmente, daquelas provocadas pela malária – doença muito frequente nestas terras. A segunda é a de aprender a língua local, para melhorar a comunicação com o povo, especialmente das comunidades do campo.

Para construir a obra não contratamos uma empresa de outro local, mas sim valorizamos a mão de obra local: entregamos a um jovem engenheiro que fez o projeto e contratou alguns jovens construtores formados pela escola profissional dos Salesianos de Inharrime, e, com o nosso acompanhamento, estão construindo a obra.

 Ela está em sua última fase, e esperamos inaugurá-la ainda neste ano de 2013. A nossa esperança é que essa casa seja um lugar onde muitos jovens possam começar a sua caminhada vocacional num ambiente adequado e sejam os futuros evangelizadores.