Biografia do padre Achylle Aleixo Rubin

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais.”

Pe. Achylle Alexio Rubim (1926 – 2018)

“Sabemos que, se a nossa habitação terrestre, esta tenda em que vivemos, for dissolvida, possuímos uma casa que é obra de Deus, uma eterna morada nos céus, que não é feita pela mão humana.” (2 Cor 5, 1).

Achylle nasceu no dia 03 de junho de 1926, no Rincão do Padilha, em Novo Paraíso, interior de Nova Palma/RS. Filho de José Rubim e Amabile Stefanello. Ambos agricultores. O casal teve 15 filhos. Uma família muito religiosa, sendo que cinco seguiram a vida consagrada, dois padres e três irmãs.

Ao falar da vocação o Pe. Achylle comenta que havia um clima favorável. Sempre recordava o fato que o Pe. Celestino Trevisan quando pregava missões em Novo Paraíso. Ao sair da capela lhe fez a pergunta: “E você quer ir ao seminário?” E o Achylle prontamente respondeu: “Eu vou!”

Uma vez no seminário, o que importava era sustentar a todo custo o “eu vou!” Em seus escritos comenta que durante o período do secundário não conseguia desviar a mente da lembrança da família, da casa e do rincão onde havia nascido. Sobretudo a lembrança da despedida, do olhar triste, absorto, da mãe, encostada no portal da casa, enquanto se afastava ao trote do cavalo junto com o pai. Enfim, não é fácil imaginar o sofrimento de um menino de 11 anos que entrava num seminário daquela época.

O Achylle recorda que, desde que entrou no seminário de Vale Vêneto a espiritualidade esteve sempre orientada pelo seu objetivo: levar à experiência do encontro com a pessoa de Jesus Cristo, pela luz e calor do Espírito Santo. Esse encontro é sentido, considerado e cultivado como prioritário. Diz ele: ali floresce o sentido da vocação.

Após concluir os estudos primários, ginasiais e colegiais, em 1945 foi para Augusto Pestana/RS fazer o noviciado, sob a orientação do Pe. Agostinho Michellotti. Período em que vive uma profunda experiência da misericórdia de Deus, como que “toques” da presença divina.

Em 1946 foi para o Seminário Maior em São João do Polêsine/RS, ali fez os cursos de Filosofia e Teologia, concluindo em 1952. Também neste período fez a sua Consagração a Deus e recebeu a Ordenação Presbiteral.

A sua ordenação aconteceu no dia 30 de dezembro de 1951, na Capela da Linha Sete, Paróquia de Nova Palma. Dom Antônio Reis ordenou naquele dia quatro palotinos (Achylle, Genésio, Otávio e Virgílio). Uma semana após a sua ordenação, na Oração das Laudes, à sombra de uma árvore no interior de Nova Palma, ao rezar o Sl 62 na passagem “como terra sedenta e sem água,” ele descreve que algo difícil de explicar apoderou-se dele: um sentimento, uma visão clara de sua realidade idêntica como aquele chão rachado de lagoa seca e, ao mesmo tempo, uma espécie de água ou de luz que descia, inundando todo o seu ser.

Logo que concluiu os estudos da teologia o jovem Pe. Achylle continuou os seus estudos na Europa. Inicialmente estudou Ciências Sociais, na Universidade Gregoriana, em Roma, Itália. Não muito contente com a pesquisa que estava fazendo partilhou o sentimento com o confrade Pe. João Baptista Quaini, que o convidou a estudar na Universidade de Friburgo, Suíça. Lá doutorou-se em Filosofia, e a Sociologia ficou em segundo plano.

Seu campo apostólico foi muito voltado a Educação e Formação. Na área da Educação atuou de 1959 até 1981, como professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na formação em Santa Maria, de 1958 a 1996, atuou no Colégio Máximo Palotino como Diretor Espiritual, Professor e Reitor. Em 1980 também foi pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria/RS. Em 1988 atuou como terapeuta em Petrópolis/RJ.

De 1996 até 2014 atuou como Diretor Espiritual no Período Introdutório ou Noviciado, em Cascavel/PR. A partir de 2015 passou a residir na Comunidade Pe. Caetano Pagliuca em Santa Maria/RS, onde viveu seus últimos anos, mesmo fragilizado, mas sempre atento e inspirado nos momentos de convivência e diálogo com os colegas de comunidade.

O Pe. Achylle pregou muitos retiros, deu muitas conferências, escreveu muitos textos, artigos, cartas e vários livros.

Quanto ao seu sacerdócio ele mesmo descreve o ministério em quatro períodos: o primeiro, que compreende os 15 anos iniciais de sacerdote, foi um período de estabilidade no jeito tradicional de viver a fé. Uma espécie de estabilidade espiritual-vocacional. O segundo há um pouco de luz, de compreensão, na difícil tarefa de aclarar o mistério da condução de Deus na sua vida. O terceiro período que vai de 1976 até 1981 é marcado por três acontecimentos: reitoria do Seminário Maior; 50 anos de vida e celebração do jubileu de prata da ordenação presbiteral. O quarto período teve inicio em 1982, tocado novamente por Deus faz uma forte experiência com o Espirito Santo e passa a viver intensamente a misericórdia de Deus. Essa experiência carrega consigo até o fim de sua vida.

O Pe. Achylle também teve uma grata experiência mariana em sua vida. Ele mesmo comenta que a sua consagração a Maria Mãe e Rainha provocou uma profunda mudança em todo o seu ser. Atribui a essa consagração a perseverança na caminhada vocacional.

Também foi um apaixonado pelo fundador São Vicente Pallotti. Foi no final da década de cinquenta que foi contemplado com uma revelação. Começou a se dar conta de que a nossa razão está estruturada de acordo com a realidade. Isto significa que, sendo a unidade a primeira característica da realidade, a capacidade da razão é também de entender a unidade. As duas formulações: “A propagação da fé e o aumento da caridade; e, o Despertar em todos a vocação para o apostolado se une a uma terceira muito especial para Pallotti “um só rebanho e um só pastor”.

Nos seus escritos também se refere a João Pozzobon como um homem santo. A partir de 1958 foi seu confidente. Escreve: “Sou testemunha de que, ao observar nossas fragilidades, nunca teve atitudes de crítica. Ao contrário, sofria e sentia-se mais responsável, no silêncio, na oração. Estou convencido de que ele representa para todos os envolvidos nos acontecimentos, um elo de inestimável valor entre Pallotti e Schoenstatt.”

Ao se referir a vocação de professor e educador diz que foi conduzido por circunstâncias providenciais, independentes de seus cálculos e determinação. Embora tivesse o desejo profundo de pesquisar e atuar no campo pedagógico e intelectual.

As suas aulas estavam centradas na elaboração da Filosofia do ser. Os seus escritos deixam transparecer a acentuação da transcendência do ser sobre o pensar. Ou seja é o ser que está acima e determina o pensamento.

Concluindo, como nos dizia o mestre Pe. Achylle: “Ser cristão consiste em levar Deus a sério. Levar Deus a sério seria, antes de mais nada, levar em conta de que ele é a causa universal de tudo: do ser, do querer, do planejar e do agir.

Pe. Achylle a tua vida, o teu modo de ser nos enriqueceu e fez com que fossemos mais cristãos.

O Senhor Deus, Pai de Infinita Misericórdia te acolha na eterna glória e que na comunhão dos Santos tu possas continuar sendo testemunha de santidade para nós que continuamos caminhando na fé.

Como Província Nossa Senhora Conquistadora, de Santa Maria, Brasil somos imensamente gratos a Deus por nos ter dado o Pe. Achylle como um dom que muito nos ajudou a refletir sobre a formação e educação. Muito obrigado Pe. Achylle!

O Pe. Achylle faleceu às 8h40min, quarta-feira, dia 31 de outubro de 2018. Foi se apagando lentamente em seu leito. Os sinais vitais foram se enfraquecendo até que fechou os olhos e morreu na Paz do Cristo.

Houve duas Celebrações Eucarísticas, uma na Comunidade Local Pe. Caetano Pagliuca e outra na Igreja Nossa Senhora das Dores. Muitos amigos, ex-alunos, familiares e confrades vieram se despedir do Pe. Achylle. Outros tantos enviaram mensagens de solidariedade de várias partes do mundo.

Muito obrigado a todos (as) que acompanharam e assistiram o Pe. Achylle nos últimos tempos de sua vida.

Pe. Clesio Facco SAC

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