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Sacerdote e Mártir: Richard Henkes

No campo de concentração de Dachau (Alemanha), o Servo de Deus Richard Henkes, sacerdote da Sociedade do Apostolado Católico (Palotinos), foi assassinado por ódio à fé († 1945).
Breve Biografia
Richard Henkes nasceu em 26 de maio de 1900 em Ruppach, uma aldeia de Westerwald, perto de Montabaur, na Alemanha. Em 1912, com o desejo de se tornar missionário palotino em Camarões, transferiu-se de sua escola estadual para um colégio palotino em Vallendar, onde também foi influenciado espiritualmente pelo Pe. José Kentenich. Henkes participou com entusiasmo da recém-fundada Comunidade de Vida Cristã e tornou-se diretor da seção missionária.
Em 1918, foi recrutado para o serviço militar em Darmstadt, onde aprendeu que, sozinho, não poderia concretizar todos os ideais elevados que havia proposto para si. Em 1919, concluiu o ensino secundário e ingressou na Comunidade dos Palotinos. Emitiu os primeiros votos em 1921 e, após superar uma crise espiritual, foi ordenado sacerdote em 1925, em Limburg.
Atuou como professor para jovens nas escolas palotinas de Schönstatt, nos Alpes, e novamente em Schönstatt.
Para evitar ser convocado pelo exército nazista (Wehrmacht), o vigário geral Nathan von Branitz designou-o administrador da Paróquia de Strandorf (1941-1943), na região de Hlučín. Por seu discurso claro e firme contra o regime nazista, Richard Henkes logo se tornou um alvo das autoridades. Ele foi um dos sacerdotes alemães que mais abertamente condenaram as ações do governo, afirmando, por exemplo, que o assassinato de inocentes era um homicídio injustificável. Por suas posturas, foi repetidamente interrogado pela Gestapo.
Finalmente, em 8 de abril de 1943, foi preso em Racibórz, após um sermão em Branice, no qual mencionou o papel desempenhado pelo exército nazista. Em 10 de julho do mesmo ano, foi transferido para o campo de concentração de Dachau, onde foi submetido a trabalhos forçados em condições desumanas. Mesmo diante das adversidades, permaneceu firme na fé, partilhando sua comida com outros prisioneiros e encorajando seus companheiros.
Embora não tenha pertencido ao círculo próximo do Pe. José Kentenich, em Dachau, teve contato frequente com o então professor Josef Beran, que mais tarde se tornaria arcebispo e cardeal de Praga.
Apesar de não ter grande facilidade para idiomas, Henkes aprendeu a língua tcheca, pois desejava permanecer naquela região como capelão após a guerra. A partir da primavera de 1944, trabalhou em um refeitório no Bloco 17, onde estavam presos, em sua maioria, tchecos.
No fim da guerra, Dachau enfrentou uma grave epidemia de febre tifoide. Em 11 de fevereiro de 1945, voluntários foram convocados entre os sacerdotes alemães para cuidar dos doentes. Richard Henkes se ofereceu voluntariamente, ciente de que sua escolha significava praticamente uma sentença de morte. Ele se isolou com os enfermos, dedicando-se a cuidar deles. Poucas semanas depois, adoeceu e, em cinco dias, faleceu.
Caminho para a Beatificação
O processo de beatificação de Richard Henkes começou pouco depois de sua morte. Após um longo período de paralisação, sua causa foi retomada no ano 2000 e, em 2002, foi declarado Servo de Deus.
No dia 21 de dezembro de 2018, o Papa Francisco aprovou o decreto de martírio do Pe. Henkes, reconhecendo oficialmente que ele foi morto por ódio à fé. Com isso, restava apenas a definição da data para a cerimônia de beatificação.