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30/11/2025 - In Memoriam

PADRE FREDERICO BLASS (1876-1943)

Era natural da Alemanha, da região da Baviera. Nasceu no dia 28 de abril de 1876. Era farmacêutico quando decidiu-se a ingressar na S.A.C.

Fez sua primeira profissão no dia 21 de setembro de 1900. Aos 29 de junho de 1904 foi ordenado sacerdote e, em seguida, veio para o Brasil. Em Tristeza (arrabalde distante 12 Km de Porto Alegre), começou a aprender a nossa língua. Foi designado depois para Palmeira das Missões, em 1907, onde trabalhou como vigário cooperador. Depois foi pároco de São Pedro do Sul, em substituição ao Pe. Germano Schröer, e de Tupanciretã e de Ajuricaba.

Era um padre muito piedoso, de uma piedade singela, cândida e quase infantil, que encantava a todos. Foi um sacerdote palotino sempre fiel, obediente, cheio de zelo apostólico.

Gostava dos livros. Possuía uma boa biblioteca. Nas suas viagens pelo interior, no desempenho de seu ministério sacerdotal, levava no seu burrico muitos livros para aproveitar o tempo nas horas de lazer. Até mesmo quando doente, não deixava os livros e permanecia lendo até uma hora da madrugada. Contudo, sua missa era sempre rezada na hora marcada.

Grande foi a sua paciência em suportar as dores terríveis que lhe causava a perna, transformada em chaga viva. Às vezes a dor era tão grande que o forçava a soltar gemidos, mas logo dominava-se num sorriso de resignação.

Os últimos anos lhe foram duros, pois enfrentou com admirável paciência a incompreensão do povo, que se queixava porque não era atendido suficientemente pelo sacerdote doente. Era muito zeloso na observância da pobreza e não fazia gastos inúteis. Costumava dizer que é arte mais difícil saber poupar do que saber ganhar.

Quando pároco de Tupanciretã, na falta de casa paroquial, viveu durante nove anos na pequena sacristia da igreja matriz, que, além de sacristia, servia de sala de visitas, escritório, sala de jantar e quarto de dormir. Recebia comida muito frugal e grosseira do hotel. O café era ele mesmo que o preparava, sobre um fogareiro a querosene...

A nota saliente de sua vida era a bondade de coração, bondade que se lhe extravasava dos olhos como de duas fontes cristalinas. Todo aquele que se aproximasse dele era recebido festivamente. Dava sempre um copinho de licor às visitas. Em sua presença todos sentiam-se rodeados de atenção e de respeito, qualquer que fosse a própria condição social. Não se queixava de superiores, colegas ou outras pessoas.

Seus últimos anos de vida foram vividos no Hospital São Vicente de Paulo, em Cruz Alta, onde foi capelão. A Ir. Beatriz, que foi diretora deste hospital, no tempo em que Pe. Frederico era capelão, escreveu estas palavras:

"Esta alma grande e generosa praticou, durante o curto espaço de tempo que residiu entre nós, milhares e milhares de atos de virtude, de que só o Altíssimo é sabedor e remunerador, pois como o bom soldado está pronto a dar sua vida pela pátria, assim o nosso zeloso Pe. Frederico Blass estava pronto a deixar de lado todos os seus interesses pelo bem espiritual das almas, especialmente quando se tratava de um agonizante. Tornando-se conhecido seu grande fervor e piedade, numerosas pessoas desejavam assistir à santa missa por ele celebrada e de suas mãos receber o Pão Eucarístico. Aproximando-se os últimos meses de sua vida, preparou-se para entregar sua bela alma ao Criador. Ele mesmo nos disse no dia de Todos os Santos de 1943: "Preparem-se, que eu não estarei convosco na festa de Natal!" ...Trabalhou até as últimas horas de sua vida, embora muito a contragosto nosso; mas seu espírito grande e forte não permitia descanso ao seu corpo, embora muito doente. Dizia ainda: "Deixe-me fazer mais este sacrifício, pois jamais é inútil um sacrifício que se faz para o bem das almas e pelas verdades eternas, quando o próprio Filho de Deus morreu para testemunhá-las. Deus só sabe medir o valor de um sacrifício e o galardoa".

O guarda-livros do hospital também dizia que o Pe. Frederico acrescentava o exemplo às suas palavras. Entregou sua alma a Deus no dia 30 de novembro de 1943. A causa de sua morte, segundo o Pe. A. Bombassaro, foi um ataque do coração. Este ataque deu-se de noite, no leito. No dia seguinte, as pessoas do hospital, vendo que ele não aparecia para celebrar a missa, foram até seu quarto. Bateram, mas não ouviram resposta. A porta estava fechada. Tiveram que arrombá-la. Então encontraram Pe. Frederico morto, no leito. Assim morria o Pe. Frederico Blass, com 67 anos de idade e 39 de fecundo sacerdócio.