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30/11/2025 - In Memoriam

PADRE EUGÊNIO ANTÔNIO POZZOBON (1928-2019)

"Escolhido entre os homens para o serviço de Deus, para oferecer dons e sacrifício" (Hb 5,1).

A vida pode ser resumida como o conjunto de vivências que nós, na fragilidade do nosso corpo e dentro de um breve tempo, conseguimos navegar no mundo que nos é dado. Porém, na dimensão da fé, encontramos outro sentido para a vida: viver é ser feliz servindo com alegria! Mesmo nas adversidades do tempo e nos contrários da história, encontra a felicidade quem serve com alegria, quem se torna dom de Deus para os mais necessitados. E quando o tempo se encerra e a morte se apresenta, revigoramos nossa confiança de que a vida daqueles que se fizeram servidores do bem não fica encerrada no túmulo, senão que é glorificada e eternizada em Deus.

2.  Família e primeira infância

O Eugênio nasceu no dia 15 de junho de 1928, em Faxinal, Distrito de Arroio Grande, município de Santa Maria (RS), filho de João Caetano e Elisa Lôndero. É o primogênito entre os nove filhos do casal. Seus primeiros anos viveu no lar matriarcal.

Em 1932, o pai constituiu uma sociedade rizícola entre os três irmãos e um cunhado, na várzea, à beira do rio Toropi, em São Pedro do Sul (RS). Nos seus escritos o Eugênio relata: "guardo saudades de um entardecer, com um sol que desfrechava raios luminosos sobre a planície do Pairé, à beira do Toropi, e nossa mudança em carreta de boi se achegando a um velho casarão, que seria nossa morada temporária, enquanto papai e os tios construíam sua casa, ao sopé da coxilha" (Informações Palotinas, n. 2, jul./dez/2006, p. 140).

Foi nesse tempo que começou a ser alfabetizado, juntamente com três primos, tendo como primeira professora a tia Nina, irmã do seu pai.

Em razão do trabalho da lavoura de arroz, o pai contraiu reumatismo e foi aconselhado pelo médico a deixar o trabalho e procurar outro empreendimento para o sustento da família. A beleza da vida, vivida no Pairé, em verdadeira fraternidade com as famílias que lá viviam, ficou marcada nos primeiros anos do Eugênio. Somente depois de 24 anos de lá ter partido, retornou para a tradicional festa do Espírito Santo.

Em primeiro de julho de 1939, a família se transferiu para a Palma, próximo de Santa Maria. Arrendaram uma fazenda de propriedade de João Lenz, onde havia bovinos, equinos e muares. Desde guri o Eugênio gostava de ser cavaleiro e sua paixão era o laço, que rodopiava com certeza, tornando-se "o guri campeão de tiro de laço."

Em 1940 e 1941 foi internado no Pensionato São Luís, em Vale Vêneto. Nesse tempo estudou até o 4° livro, a Selecta de Clemente Pinto, e decifrou o 2° livro de manuscrito. Foi nesse período que o Pe. Pedro Luís Bottari o motivou para entrar no seminário. Assim se sucedeu.

3.  Seminário Menor e Noviciado

Em primeiro de março de 1942, ingressou no Seminário Rainha dos Apóstolos, em Vale Vêneto. Por ser privilegiado pela memória, sempre teve muita facilidade nos estudos, embora ele mesmo comenta nos seus escritos "que deveria ter sido melhor orientado para que fosse melhor exercitado no raciocínio, porque a memória limita o aprofundamento..." (IP, p. 143)

Nas aulas considerava-se muito tímido, de tal modo que sempre teve medo do que é público, nunca participou dos teatros e também dificilmente fazia perguntas de esclarecimento. Comenta com saudades os tempos passados em Vale Vêneto, onde viveu momentos belíssimos de sua vida.

Em janeiro de 1949 foi para Cadeado, hoje Augusto Pestana (RS), a fim de fazer o ano de noviciado. Esse período da formação começava com uma semana de retiro fechado. No dia 2 de fevereiro faziam a vestição. O Eugênio descreve este momento como um dia de muita alegria, com hábito novo, e cheios de ideais e esperanças. Dias depois tiveram a alegria de fazer um passeio de caminhão de carga até às Ruínas de São Miguel das Missões e beber água mineral em Catuípe (RS).

O mestre de noviços era o Pe. José Stefanello. O Eugênio o descreve como um homem de uma dedicação sem reservas e dava tudo de si para bem desempenhar o seu ofício. Era um tempo de grande pobreza, o sustento da casa era tirado da pequena chácara, na qual grande parte da produção era devorada pelas formigas saúvas.

Quanto aos estudos, o Eugênio recorda que se aprofundaram nos comentários das constituições da Sociedade do Apostolado Católico feitos pelo Pe. Henrique Schulte; também receberam uma forte espiritualidade mariana através dos ensinamentos de Grignon de Monfort, São Maximiliano Maria Kolbe, Schönstatt e Pallotti. O Eugênio escreve: "nossa espiritualidade estava, pois, arraigada na unidade Schönstatt-Pallotti". Repetíamos espontaneamente, diz ele: "Em Pallotti e Schönstatt dai-nos crer e o sinal desta unidade jamais perder" (IP, p. 146).

Ainda sobre a espiritualidade, segundo ele, foram orientados em um ponto fundamental da vida humana, que é o apego ao local de nascimento, à família e à pátria.

Em 1950, ano da beatificação do Fundador, o Eugênio fez o segundo ano de noviciado, porém por falta de lugar em São João do Polêsine (RS), realizou o primeiro ano de filosofia em Augusto Pestana. O professor de filosofia era o Pe. Alderige Baggio, que ministrava as aulas em latim e exigia que os alunos também falassem latim corretamente.

4.  Seminário Maior

Em 1951 passou a estudar filosofia em São João do Polêsine (RS), com o Pe. Casimiro Tronco. Também neste ano, no dia 2 de fevereiro, fez a sua primeira consagração na Sociedade do Apostolado Católico. Após concluir o curso de filosofia, fez um ano de estágio; coube-lhe auxiliar o Pe. Pio José Soldera, que na época era o diretor da Gráfica e Revista Rainha dos Apóstolos, no Patronato, em Santa Maria (RS).

No ano de 1954 retornou a São João do Polêsine para fazer o curso de Teologia. Recorda que durante o curso teve como colegas os seminaristas da Província São Paulo Apóstolo, Brasil e da Província Sagrado Coração de Jesus, Alemanha. Segundo o Eugênio foi um tempo ótimo, de belíssima convivência e com enriquecimento da história das províncias. No final do terceiro ano de teologia foi apresentado para receber as ordenações. Momento de grande emoção para o Eugênio.

5.  Subdiaconato, diaconato e presbiterado

Naquele tempo os religiosos que tivessem feito a consagração perpétua e completado 26 anos podiam receber a ordenação sacerdotal no final do terceiro ano de teologia. Então o Eugênio foi ordenado subdiácono no dia 30 de novembro de 1956; no dia 1 de dezembro do mesmo ano foi ordenado diácono. Ambas as ordenações aconteceram na cripta do Santuário Nossa Senhora Medianeira, em Santa Maria. A ordenação sacerdotal foi no dia 2 de dezembro de 1956, em São João do Polêsine. Na oportunidade Dom Luís Vitor Sartori, Bispo Diocesano de Santa Maria, ordenou seis palotinos: Conrado Walter, Roque Kiefer, Máximo Zambon, Remígio Milanesi, José Joaquim Pillon e Eugênio Antônio Pozzobon. Em 1957 concluiu o curso de teologia.

 6.  Apostolado

O padre novo, naquele tempo, era enviado para ser substituto nas paróquias, fazer a bênção das casas e coletar gêneros e doações para o seminário. O Pe. Eugênio recorda com saudade daquele tempo, pois fazem- se amizades e ficam belas recordações do ministério descontraído e desinibido. Inicialmente foi vigário substituto nas Paróquias de Restinga Seca, de Lavras do Sul, de São Martinho e de Rio Grande.

Em 1958 foi destinado a auxiliar o diretor da Gráfica Pallotti, no Patronato e, em 1959 foi transferido para o pré-seminário de Faxinal do Soturno, onde permaneceu até 1960.

Em 1961 foi nomeado vigário paroquial na Paróquia Santa Cecilia, Humaitá (RS). Aí aprendeu um pouco de alemão para poder se comunicar com os fiéis, pois a grande maioria era descendente de alemães. Segundo o Pe. Eugênio foi uma bela experiência, pois se sentiu muito envolvido e acolhido no trabalho pastoral. No início de 1962 foi convidado para administrar a Gráfica Pallotti, juntamente com o Pe. Túlio Giacomini. Durante 23 anos atuou nesse setor. Também neste período fez os cursos de Técnico em Contabilidade, de Ciências Econômicas e Políticas e de Direito. Formado e habilitado na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 1979. No ano de 1981 celebrou o Jubileu de Prata como presbítero. Assim o descreveu: "o Jubileu de Prata é expressão de gratidão a Deus, que nos amou, chamou e escolheu, no tempo, a participar do único sacerdócio de Cristo, marcados e guiados pela mão de Maria a trabalhar na seara do Senhor!"

Em 1984, depois de tantos anos na administração da Gráfica Pallotti, solicitou a substituição. Em maio de 1985, enquanto celebrava a missa, sofreu uma arritmia cardíaca. Daí em diante teve que ter uma atenção especial com a saúde, portanto foi liberado da administração. Ainda neste ano fez uma viagem à Terra Santa.

No ano de 1986 passou a exercer o seu ministério como vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria. Em 1989 retornou ao Patronato, onde auxiliou no setor administrativo e jurídico. Em 2005 passou por uma intervenção cirúrgica em lhe foram feitas três pontes de safena.

No ano de 2006 celebrou o jubileu de ouro de ordenação sacerdotal, onde pode louvar e agradecer a misericórdia de Deus e a proteção de Maria Santíssima.

7.  Morte e Sepultamento

No amanhecer de 30 de novembro de 2019, sábado, a Comunidade Local Pe. Caetano Pagliuca foi surpreendida pela morte repentina do Pe. Eugênio. Sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ele foi velado na própria comunidade, onde às 11h houve uma celebração eucarística presidida pelo Reitor da Comunidade Local Pe. Vanderlei Luiz Cargnin.

À tarde, 16h30min, houve outra missa presidida pelo Pe. Francisco Bianchin, primo irmão do Pe. Eugênio. Esta aconteceu na Igreja Matriz Santo Antônio, Patronato. Nesta celebração estiveram presentes muitos familiares, amigos e conhecidos. Foi sepultado às 18h30min no Cemitério dos Padres e Irmãos Palotinos, em Vale Vêneto (RS). Contava 91 anos e cinco meses, dos quais viveu 68 anos como consagrado palotino e 63 anos como presbítero.

Agradeçamos a Deus pela vida do Pe. Eugênio e por ter colocado seus dons a serviço da Igreja e da comunidade Palotina.

Pe. Clesio Facco, SAC