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18/03/2025 - In Memoriam

Dom Alberto Trevisan (1916-1997)

Dom Alberto Trevisan nasceu em Faxinal do Soturno (RS), no dia 22 de junho de 1916, em uma família de dez membros. Seus pais foram Jacob Trevisan e Amábile Da Ros.

1. Família e Formação

Realizou seus estudos fundamentais no Colégio das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, em Novo Treviso, localidade do município de Faxinal do Soturno. Entre 1922 e 1929, sentiu o chamado de Deus para a vocação consagrada, assim como seus primos Vitelio Trevisan e Vitor Darós. Outros membros da família também seguiram a vida religiosa: Leucádia, Iriema e Bernardete tornaram-se religiosas, enquanto seu irmão Abílio ingressou na Congregação Marista.

Após os estudos em Novo Treviso, Dom Alberto e seus primos ingressaram no Seminário São José, em Santa Maria, onde cursaram o ginásio até 1934. No ano seguinte, iniciaram o noviciado em Vale Vêneto, sob a orientação do Pe. Casimiro Tronco. Paralelamente, lecionavam no Seminário Rainha dos Apóstolos. Em 1936, Dom Alberto dedicou-se ao magistério em Cadeado, hoje Augusto Pestana (RS). No ano seguinte, mudou-se para São Leopoldo, onde estudou Filosofia e Teologia no Seminário Imaculada Conceição.

Foi ordenado sacerdote em 27 de dezembro de 1942, na localidade de Novo Treviso, sendo a primeira ordenação realizada naquele lugar.

2. Ministério Sacerdotal

Seu ministério teve início em Cruz Alta (RS), onde atuou como vigário paroquial e capelão do Ginásio Cristo Redentor dos Maristas. Em 1945, trabalhou no Patronato Agrícola Antônio Alves Ramos, auxiliando o Pe. Rafael Iop e colaborando na pequena tipografia local.

Em 1946, voltou a Cruz Alta como vigário cooperador e, no ano seguinte, iniciou seu estágio como capelão militar, dando início a uma longa trajetória junto às Forças Armadas. Em 1947, foi transferido para o Rio de Janeiro, onde tornou-se orientador espiritual na Vila Militar de Deodoro. Ali, tornou-se o primeiro capelão paraquedista do Brasil, realizando 83 saltos de paraquedas. Concluiu, em 1952, o curso de mestre de saltos, sendo aprovado nessa função em outubro do mesmo ano.

Em 1954, retornou a Cruz Alta como capelão da Guarnição local e, em 1960, passou a atender cumulativamente o Quartel General da 3ª Divisão de Infantaria.

3. Episcopado

No dia 17 de maio de 1964, foi sagrado bispo na Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria. A cerimônia foi presidida por Dom José Newton de Almeida, Arcebispo de Brasília, com a participação de Dom João Hoffmann e Dom Vitor Sartori.

Em 8 de junho de 1964, foi nomeado Capelão Chefe do Serviço de Assistência Religiosa das Forças Armadas pelo Presidente da República. Em 10 de abril de 1967, foi dispensado dessa função e nomeado bispo auxiliar do Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, no Rio de Janeiro.

Dom Alberto teve um papel importante na mediação de conflitos durante o período militar, intervindo junto ao Presidente Médici para evitar injustiças contra sacerdotes. Por sua atuação, recebeu a Medalha do Pacificador, apesar de resistências dentro das próprias Forças Armadas.

Seu catecismo "Verdade e Vida" teve cinco edições e mais de 200 mil exemplares distribuídos, sendo uma importante ferramenta de evangelização entre os militares.

4. Atuação Pastoral no Rio de Janeiro

Foi também auxiliar de Dom Eugênio de Araújo Sales, quando a Arquidiocese do Rio de Janeiro foi dividida em vicariatos. Atuou intensamente no atendimento aos pobres e marginalizados. No entanto, devido a divergências com Dom Eugênio, renunciou ao vicariato e assumiu a capelania do Hospital Central do Exército, dedicando-se integralmente aos doentes militares.

Durante esse período, passou por três cirurgias de hérnia e uma de próstata, chegando a sofrer uma parada cardíaca. Recuperado, retornou à Casa de Retiros em Santa Maria (RS), onde dedicou-se à oração e ao atendimento de romeiros.

5. Cinquenta Anos de Sacerdócio

Em 27 de dezembro de 1992, celebrou seu jubileu sacerdotal ao lado de seu confrade Pe. Vitelio Trevisan, na presença de Dom Ivo e dos confrades palotinos de Santa Maria. No dia 10 de janeiro de 1993, recebeu homenagens em sua terra natal, Faxinal do Soturno, com celebrações festivas entre familiares, conterrâneos e confrades. A tradicional festividade dos jubilandos também foi realizada em Vale Vêneto.

6. Despedida

Nos últimos anos, Dom Alberto manteve-se fiel à oração e ao atendimento pastoral na Casa de Retiros, até que, em 24 de outubro de 1997, sofreu um derrame. Foi encaminhado ao Hospital do Exército do 5º RPM e, após a recuperação, escolheu viver no Patronato, sendo assistido por enfermeiras e confrades.

No dia 18 de março de 1997, às 15h10min, durante a romaria da MTA, Dom Alberto foi chamado pelo Pai para a morada eterna.