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25/02/2025 - In Memoriam

Padre Félix Albino Pillon (2002-1926)

No dia 07 de fevereiro de 2002, a comunidade palotina foi surpreendida pela triste notícia de que o Pe. Félix Albino Pillon havia sofrido um grave acidente automobilístico em Porto Alegre (RS). Com ele, estavam três irmãs suas que sofreram ferimentos leves.

Mais tarde, suas irmãs, após terem passado um período em observação médica, foram liberadas e retornaram para casa. O mesmo não se deu com o Pe. Félix que, além de fraturar costelas e clavícula, recebera uma forte pancada na cabeça, o que lhe causou a perda da consciência. Do local do acidente, ele foi levado, imediatamente, para o Hospital Moinhos de Vento, onde foi submetido a duas cirurgias na cabeça. A impressão, no início, era de que Pe. Félix superaria os ferimentos e voltaria ao nosso convívio.

Infelizmente, na madrugada do dia 25 de fevereiro, às 1h30min, a última notícia: Pe. Félix Albino Pillon acabara de falecer. A causa da morte, segundo o assento do óbito: hemorragia e edema de massa encefálica consecutiva e traumatismo cranioencefálico.

1.   Família e formação

Pe. Félix Albino Pillon nasceu no dia 27 de junho de 1926, em Arroio Grande, distrito de Santa Maria (RS), filho de João e de Verônica Barichello Pillon. Estudou no seminário de Vale Vêneto (1939-1946), fez o ano de noviciado (1947) em Augusto Pestana (RS), estudou Filosofia (1948-1950) em São João do Polêsine (RS), Teologia em Roma (1951-1958), concluindo seus estudos com doutorado em Teologia Dogmatica.

Foi ordenado presbítero no dia 17 de abril de 1954. Voltando para o Brasil, ensinou Teologia Dogmática no Colégio Máximo Palotino (1958-1982), onde também foi reitor (1965-1969) e ecônomo (1972-1982). Foi capelão da comunidade do bairro Menino Jesus (1962-1981) e, sob sua coordenação, foram construídas a capela e, mais tarde, o Centro Comunitário.

Esteve em Petrópolis (RJ) (1983-1988), no Centro Nacional de Revitalização da Pessoa, como psicólogo e orientador. Foi mestre de noviços em Porto Alegre (RS), nos anos de 1988 e 1989. No início da década de 1990, Pe. Félix foi para Campo Grande (MS), na paróquia São Judas Tadeu. Nesse tempo, foi convidado a integrar o corpo de formadores do Seminário Diocesano de Campo Grande, que reunia todos os seminaristas maiores das dioceses do Centro-Oeste, ocasião em que o Pe. Felix, então, se entregou à grande tarefa da orientação espiritual e psicológica dos seminaristas. Terminado o compromisso em 1999, foi para Santa Maria (RS), integrando a comunidade do Patronato Antônio Alves Ramos. Ali ele iniciou o último período de sua vida, dedicando-se à capelania do Hospital de Caridade e ao atendimento espiritual e psicológico de confrades, religiosos(as) e leigos. Nessa atividade, empreendia frequentes viagens a MS, MT e MG.

2.   Homem amável e com muitas ideias

Pe. Felix era um sacerdote de fé profunda, de uma paciência heroica e de uma afabilidade imperturbável. Por onde andava, conquistava admiração e amizades. Animava a todos com seu jeito alegre e entusiasmado. Sempre era uma presença significativa onde quer que estivesse.

Tinha facilidade de relacionar-se com os mais diversos tipos de pessoas e de conquistar a simpatia da maioria delas. Acolhia o mau humor do companheiro como quem estava certo de que ele tinha mil razões para estar chateado daquela forma.

Admitia boa intenção até nas críticas que recebia. Foi um homem simples, sereno, cheio de bondade e extraordinariamente respeitoso com a opinião dos outros. Segundo a descrição dos confrades que viveram com ele no Patronato, o Pe. Félix era um excelente companheiro, homem de amizades sólidas, sabendo fazer-se ser respeitado e querido tanto pelos confrades quanto pelos leigos.

Pe. Félix também era um sacerdote com muitas ideias, quando algo lhe passava pela cabeça não era fácil dissuadi-lo. Quando lhe ocorria um novo projeto, quase sempre na linha da formação e do acompanhamento psicológico de pessoas, buscava conversar com confrades, especialmente os membros do Conselho Provincial, tentando justificar a sua proposta. Quando percebia que não havia grande entusiasmo da parte do confrade, como se o proposto fosse algo impossível de alcançar, dava a tradicional tossidinha e voltava de novo e de novo com a mesma proposta, até que ele, depois de tudo, pensasse que sua proposta não era assim tão boa como imaginara. Mas logo vinha com outra novidade.

Um confrade, de forma amistosa, costumava dizer que o Pe. Félix era como um macaco assentado em um galho. "Tu te achegas silenciosamente por detrás e tratas de agarrá-lo pela cauda; mas antes que possa fazê-lo, ele já saltou e está descansando em outro galho". A recusa de suas ideias, porém, nunca foi um obstáculo para continuar contando com a sua colaboração.

3.   Centro Nacional de Revitalização da Pessoa e sua devoção

No início de 1983, após um jubileu de serviços no Colégio Máximo Palotino, Pe. Félix foi para Petrópolis, no Rio de Janeiro, com a finalidade de fazer parte da equipe que coordenava o Centro Nacional de Revitalização da Pessoa. Ao retornar, em 1988, para assumir o Noviciado em Porto Alegre, na condição de mestre de noviços, assim falou da sua vivência no Rio de Janeiro: "Talvez eu possa dizer que estes cinco anos em Petrópolis foram dos mais significativos da minha vida. Ali eu aprendi melhor a tomar contato e a lidar com a outra face da pessoa humana, o mundo do inconsciente, o mundo onde está a raiz de todas as nossas vivências, tanto positivas quanto negativas. As vivências positivas são como que a mola mestra, impulsionam a vida para frente e a tornam cada vez mais satisfatória. Já as vivências negativas são como entraves, que impedem o crescimento da vida, tornando-se cada vez mais insatisfatória e frustrada. Chamados que somos à vida plena, todos buscamos trabalhar as coisas negativas que há dentro de nós para que a nossa vida se torne cada vez melhor." (relato ao Conselho Provincial de então).

Vale, contudo, destacar que o Pe. Félix não deixava de entregar um só instante de sua vida à proteção de Maria. Também, sempre que podia, expressava a sua grande devoção a Santa Terezinha. Em seu quarto mantinha uma imagem da santa, que para ele, era o modelo da escuta, do amor que se oferece ao Pai para ser consagrado por Ele. Via nela um coração livre para amar e que fortalecia na consciência de pertença total ao Senhor.

Num dos bilhetes encontrados entre os seus pertences, falava de sua "santinha" como aquela que está cheia de ternura, bondade, aconchego, compaixão, carinho, compreensão, simplicidade, afeto, capacidade de sofrer e de um incomparável espírito missionário. E pedia: "Faça com que se estabeleça em mim o equilíbrio entre o coração e a razão, entre o afeto e a lógica, entre a emoção e o cálculo e livra-me do racionalismo espiritualista. Faze-me simples como tu".

4.   Estará sempre junto de nós

"Juntos" era uma palavra que, com frequência, o Pe. Félix pronunciava: "caminhar juntos, rezar juntos, estar juntos, festejar juntos". E era isso mesmo que ele era, alguém que ficou junto, que ajudou a muitos descobrir que juntos pode-se muito mais.

Das muitas manifestações feitas pelas pessoas que estiveram junto do Pe. Felix, para demonstrar o quão especial ele foi, citam-se algumas: Dom Vitório Pavanello, arcebispo de Campo Grande (MS): "Foi com muita tristeza que recebi a dolorosa notícia do falecimento do nosso querido Pe. Félix Pillon. Penso que não foi só uma perda para a Província, mas para muitos seminaristas e seminários do Brasil... Quem teve a graça de conviver com ele não o esquecerá jamais".

Pe. Rodolfo Capalozza - Superior Regional da Região Argentino-Boliviana - Argentina: "Vienea mi mente em este instante algunos momentos compartidos com Pe. Félix: clases, celebraciones, diálogos, actividades pastorales. Más de una vez recurri a su consejo y más de una vez recio a través de su ministério el don del perdón y la reconciliación. Muchos gestos lo caracterizaban como una persona muy singular. Mucho hemos recibido a través de él. Rescato su anhelo de ser fiel a los planes de Dios, su esfuerzo por buscar la verdad y por construir relaciones de amistad y comumin, su búsqueda continua de integrar lo humano com lo divino, su contínuo intento de síntesis, de buscar la armonía desde la perspectiva de la Fé.”

Pe. Jeremias Murphy - Superior da Delegação Irlandesa - Argentina: "Lamento mucho la triste noticia de la muerte del querido Pe. Félix. Tengo el más grato recuerdo de él de su tiempo de maestro de novicios em Porto Alegre. Fue maestro, junto al Pe. Dorvalino Dotta, de Nestor Morón de nuestra comunidad. El siempre mostro uma confianza em Nestor y lo estimulaba continuamente e crescer y superarse". 

"Ser Sorriso. Nunca me esqueço o abraço que vinha sempre de seu sorriso. Era como o sol, a tarde inteira, sem sombras nem dor. Félix-feliz! Na tua árdua missão, o BEM era o teu viver.

Quantas vezes, em mãos postas, me ensinavas a "Ave-Maria" em doce melodia. Eu te ouvia sem pressa, com o coração em alegria..."

(Trecho da ação de graças "Ser Sorriso", de Zilda Moura, de Campo Grande - MS).

5.   Despedida

Após seu falecimento, o Pe. Félix foi levado de Porto Alegre para Santa Maria e, às 15h30min do dia 25 de fevereiro, na igreja Nossa Senhora das Dores, houve missa de corpo presente, presidida por Dom José Ivo Lorscheiter, bispo diocesano, ladeado por um bom número de sacerdotes, numa numerosa assembleia. Todos associados na tristeza da separação, mas, sobretudo, "na gratidão a Deus por sua vida, tão rica em testemunho de dom e acolhida" (D. Ivo). Com grande presença de confrades, familiares, seminaristas, ex-alunos e amigos, com a presidência do Pe. Ademar Figuera, Reitor Provincial, por volta das 17h30min, ocorreu a última celebração do dia, em Vale Vêneto (RS). Em seguida, seu corpo foi levado para o cemitério dos padres palotinos, de Vale Vêneto.

Para concluir, registram-se as próprias palavras do Pe. Félix, que ele escreveu na mensagem enviada e lida na missa de corpo presente do Pe. Gentil Lorenzoni, seu colega de curso, no dia 1° de março de 1999, "Tua bela alma partiu para Deus para receber o prêmio do servo e fiel e o teu corpo vai ser entregue a terra. O exemplo de tua vida, porém, vai ficar para sempre como sinal luminoso de alguém que soube amar e dar-se totalmente". Descanse em paz.