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20/03/2025 - In Memoriam

Padre Senito Afonso Durigon (1959-2012)

No dia 20 de março de 2012, terça-feira, às 16h, no Hospital São Francisco de Assis, em Santa Maria (RS), faleceu, aos 52 anos, Pe. Senito Afonso Durigon, sacerdote palotino. No dia seguinte, 21 de março, foi sepultado no Cemitério dos Padres e Irmãos Palotinos, em Vale Vêneto, Distrito de São João do Polêsine (RS). Todo dom de si, todo avanço, toda morte em si mesma, molda nosso ser de eternidade, como nos garantiu Jesus Cristo, nosso Salvador. A páscoa do Pe. Senito, sua ressurreição e vida, participam da própria promessa de Jesus Cristo: "Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto [...]. Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também meu servo" (Jo 12, 24.26).

1.   Família e vocação

Pe. Senito Durigon nasceu no dia 21 de dezembro de 1959 na localidade de Limeira, então município de Júlio de Castilhos e hoje município de Pinhal Grande (RS). Era o filho primogênito de Osvaldo Uliana Durigon e Lídia Dalla Nora Durigon, e irmão de Celso, Solange, Selmar, Flávio e Dorival (adotivo). Boa parte de sua vocação se deve aos seus pais. À mãe, que na oração, antes mesmo de casar, pedia a Deus que, um dia, desse à sua família a bênção de vocações religiosas. Ao pai, pelo apoio incondicional que, na hora de ir para o seminário, o animou e amparou com estas palavras: "Vai e, se por acaso, descobrires que não é isso que buscas, sabes onde fica a tua casa". Pe. Senito sempre recordava com saudades a devoção dos pais a Nossa Senhora e a recitação do terço, todas as noites, mesmo cansados do trabalho, enquanto a mãe preparava a janta.

Sua vocação nasceu dentro de algumas circunstâncias que o fizeram chegar aos palotinos. Já antes de ser Palotino, desde muito cedo, teve o desejo de ser padre. Brincava de rezar a missa sobre as taipas de pedra que circundavam os potreiros. O pala de seu pai servia de túnica e as rodelas de batata-doce, assadas na chapa do fogão, serviam para imitar a hóstia que o padre consagrava na missa. Seu irmão e sua irmã, já nascidos na época, compunham a assembleia e ouviam os inflamados sermões proferidos de cima da taipa de pedra. No tempo de "ir para o seminário", estavam, em Faxinal do Soturno (RS), um primo e vários guris da região. Conheceu também o Pe. Casimiro Facco, promotor vocacional, cuja família residia na mesma paróquia. Através dele, entrou no seminário.

2.   Formação

Pe. Senito entrou no Seminário Rainha dos Apóstolos, dos Padres e Irmãos Palotinos, em Vale Vêneto (RS), para o ensino médio em 1975. Foi acolhido pelo Pe. Danilo Dotto, que o encaminhou, no meio da manhã, para a sala de aula, pois o ano letivo já havia iniciado. Daquele período, guardou boas lembranças da "Mãe do Seminário", a Irmã Terezinha Schneider. Ela cuidava desde as unhas arrancadas até os momentos de saudades da família que volta e meia assolavam os seminaristas. De 1978 a 1983, no Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria (RS), fez o Curso Integrado de Filosofia e Teologia, interrompido em 1980 para o ano de Noviciado em Buenos Aires, na Argentina. O seu mestre de noviciado foi o Pe. Kevin O'Neill, auxiliado pelo Pe. Carlos Amarante Machado.

Fez sua primeira consagração a Deus na Sociedade do Apostolado Católico no dia 22 de março de 1981, e a perpétua, no dia 25 de março de 1983. Sua ordenação sacerdotal foi no dia 01 de janeiro de 1984 na Igreja dedicada a São João Maria Vianney, em Limeira, sua terra natal, por Dom José Ivo Lorscheiter, então Bispo de Santa Maria. Seu lema de ordenação era: "Não fostes vós que me escolhestes, mas Eu vos escolhi a vós e vos constitui para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça" (Jo 15,16).

Naquela mesma data, foram ordenados os padres João Walter Rubin e Elci Piccin. Estiveram presentes naquele dia mais de sessenta padres, dos quais doze recém- ordenados, seus colegas de turma. Essas foram as três primeiras ordenações sacerdotais na comunidade São João Maria Vianney.

 3.   Apostolado

Logo após a ordenação, ele foi designado para trabalhar em Campo Grande (MS), na Paróquia Santo Antônio, até 1987. Em 1988 e 1989, trabalhou na recém criada Paróquia São Judas Tadeu, também em Campo Grande. Os seis primeiros anos serviram-lhe para ter um primeiro contato com a pastoral urbana, pois as comunidades eram todas da cidade, e lidou com a timidez, os medos e outras situações inesperadas que se apresentavam. Ficou mais tranquilo quando soube que seus colegas de trabalho seriam o Pe. Carlos Amarante Machado, conhecido no Noviciado, e o Pe. Genuir Marmentini, seu colega de curso.

Em 1990 e 1991, o Pe. Senito exerceu seu ministério sacerdotal no Seminário São Vicente Pallotti em Palotina (PR). No ano de 1992, o Conselho Provincial indicou- lhe o Seminário Maria Mãe dos Migrantes, em Ariquemes (RO), como seu novo campo de apostolado. Como educador, permaneceu oito anos naquele seminário, até 1999. Lá teve como colegas de trabalho os padres Miguel Klauck, por dois anos, Valdemar Secretti, por quatro anos, e Pe. Egídio Trevisan, por mais dois anos. Era uma realidade bem diferente daquela de Palotina, localizada na Região Norte: O seminário de Ariquemes era pequeno, e outros desafios se apresentavam. O Pe. Senito sempre manifestou que aquele período foi um tempo muito bom de trabalho e de aprendizado para a sua vida, e percebeu na pele o quanto é desafiador o trabalho de formador e ainda muito mais com a função de Reitor.

No ano 2000, ele recebeu a ordem de retornar a Campo Grande (MS) para a Paróquia Santa Rita de Cássia, onde ficou até o final do ano de 2010. Desse período, é significativo lembrar do trabalho inter-paroquial realizado pelos padres, irmãs e leigos das três paróquias atendidas pelos padres Palotinos (São Judas Tadeu, Santa Rita de Cássia e Divino Espírito Santo).

Segundo o Pe. Senito, que muito contribuiu para a realização desse proposito, o trabalho interparoquial é um valor que deve ser conservado pelos frutos que produz, por ser um jeito Palotino de trabalhar e pela repercussão positiva que tem na vida da arquidiocese. Essa forma de interagir entre as paróquias favorece a formação dos leigos, auxilia na tomada de consciência dos padres de unidade eclesial e não apenas paroquial, com trabalhos individuais, criando laços de fraternidade entre comunidades, leigos, irmãs e presbíteros. Nela se percebe a vivência do carisma Palotino, em que os leigos encontram seu espaço e exercem com competência sua missão, já que todo batizado é evangelizador por excelência.

 Em 2011, Pe. Senito foi nomeado pelo Conselho Provincial para a Paróquia Nossa Senhora da Glória, na cidade de Glória de Dourados (MS), onde permaneceu até o início de fevereiro de 2012.

4.   Doutor Senito e saúde pública

Os coirmãos do Pe. Senito, com carinho, o chamavam de "Doutor Senito". Explica- se o porquê desse título. Uma irmã, em Ariquemes (RO), convidou-o para participar de um curso popular sobre saúde. Esse curso despertou nele o interesse pelas questões ligadas à saúde humana. Daí nasceu uma equipe de estudos que passou a atender a população e a indicar-lhe chás de plantas medicinais e outros remédios caseiros. Na verdade, segundo o Senito, foi uma maneira de recuperar práticas da sabedoria popular quanto ao uso de plantas medicinais.

Por um tempo, ele procurou aprofundar esse conhecimento estudando livros e artigos, especialmente com o objetivo de formar novos agentes diante da grande procura do tratamento. Mais tarde, fez um curso em Curitiba (PR), que lhe permitiu avançar mais no conhecimento de algumas áreas, como a homeopatia e a fitoterapia, ligadas à medicina natural.

Por muito tempo, ele procurou repassar esses conhecimentos às pessoas e às comunidades através de cursos. Dedicava duas tardes por semana ao cuidado da saúde das pessoas, especialmente dos pobres. O método usado por ele fundamenta-se numa técnica ensinada pelo Dr. Aton Inaue, médico chinês, que o desenvolveu e o denominou bioenergético. Trata-se de descobrir o órgão doente, a causa da doença e o medicamento adequado ao tratamento. O Pe. Senito optou por usar como tratamento a fitoterapia (plantas) e homeopatia (medicamentos elaborados e de grande eficácia).

A prevenção das doenças é uma das grandes preocupações, nos dias de hoje, e muitos estudiosos entendem que uma melhor qualidade de vida está diretamente relacionada à medicina preventiva, observava ele. E ainda costumava dizer que a medicina atual não trata o ser humano como um todo e, por isso, se torna ineficaz no tratamento de muitas doenças.

5.   Morte e Sepultamento

Pe. Senito estava passando um mês de férias com seus familiares, em Pinhal Grande (RS) quando sentiu que algo não estava bem: tinha inchaços e manchas vermelhas nas pernas. Imediatamente, veio para o Patronato Antônio Alves Ramos, em Santa Maria (RS), e foi encaminhado para o hospital. Ficou internado desde o dia 24 de fevereiro até o dia 20 de março de 2012, quando, às 16h, faleceu, com apenas 52 anos, vitimado por falência múltipla dos órgãos em consequência da miosite purulenta tropical, uma bactéria muita rara que entrou na sua corrente sanguínea e desencadeou uma infecção generalizada (septicemia), causando-lhe distúrbio hidrometabólico, insuficiência renal aguda e diabetes mellitus.

Seu corpo foi velado na Capela do Colégio Máximo Palotino em Santa Maria (RS). Na noite do mesmo dia, 20 de março, às 21h, houve celebração eucarística com a presença de muitas pessoas e presidida pelo Pe. Sérgio Coldebella, Reitor do Seminário, colega de formação, que destacou aspectos do coirmão falecido: "Quando fiquei padre, fui trabalhar em Campo Grande (MS) e lá foram mais três com ele. Sempre o admirei pela acolhida e dedicação às comunidades e às pessoas simples. Foi ele que me acompanhou nos meus primeiros passos no trabalho de padre em Campo Grande. O Pe. Senito tinha muita facilidade de cativar as pessoas e, pelos lugares por que passou, deixou boas referências e muitas saudades. Estando em Ariquemes, nos últimos anos, muitos perguntavam pelo Pe. Senito e diziam-me: "Dá-lhe um abraço, quando o encontrar". O Pe. Senito sempre foi de boa convivência e de valorizar muito as pessoas. Eu tive e tenho na pessoa dele um bom amigo e um padre dedicado ao próximo e preocupado com a caminhada do seu povo."

No dia 22 de março, às 10h, no mesmo seminário, outra eucaristia foi celebrada. O Pe. Clésio Facco, membro do Conselho Provincial, na sua homilia, sublinhou algumas características próprias do Pe. Senito: "Na vida, temos muitas surpresas, a morte do Pe. Senito Durigon nos causou muita perplexidade e estamos nos perguntando sobre o que Deus nos quer dizer. Diante desse fato, a Palavra de Deus nos vem encorajar e luminar e nos convida a caminharmos na esperança, na fé e no amor. Na esperança, porque podemos dizer que a nossa vida não acaba aqui, ela continua e a morte é apenas mais uma etapa.

Na fé, porque acreditamos na ressurreição e Jesus Cristo nos dá essa certeza. No amor, porque é o que permanece. Não são as edificações, os monumentos e os prédios que construímos que permanecem, estes um dia viram ruínas e desaparecem; o que realmente permanece é o amor que nós vivemos. O Pe. Senito Durigon viveu a sua vida pelos outros, foi o bom companheiro, não se preocupou consigo mesmo. Doou-se gratuitamente em favor dos pobres, especialmente na área da saúde. Por estes testemunho e dom, queremos agradecer a Deus.

Às 11h30min, o corpo foi transladado para a Igreja São João Maria Vianney, em Limeira, município de Pinhal Grande (RS), onde ele nasceu e vivem seus pais. As 15h, com uma multidão graças à qual a sua igreja se tornou pequena, houve a terceira celebração eucarística, presidida pelo Pe. Edgar Ertl, Vice-Reitor provincial. A homilia foi proferida pelo Pe. Jadir Zaro, membro do Conselho Provincial, e que durante seis anos trabalhou com o Pe. Senito em Campo Grande (MS). Entre outras realidades, quis destacar estas: "Muito aprendemos com as pessoas com que convivemos. Grande parte daquilo que somos, herdamos de nossos pais. Na convivência com o Pe. Senito Durigon, na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Campo Grande, durante seis anos, dentre muitas coisas, ele me ensinou três realidades importantes:

"1º. O valor da família no incentivo, cultivo e amadurecimento da vocação: os pais do Pe. Senito sonhavam com um filho padre. Quando um dos seus manifestou esse desejo, recebeu todo apoio necessário para que o propósito se tornasse realidade. Portanto, a vocação do Pe. Senito é a vocação da família e ele sempre reconheceu e valorizou essa presença familiar. Que bom seria se mais famílias assim sonhassem!

2º. A dinâmica do ser Palotino e a dedicação ao próximo: ao perceber que tinha o dom e que o trabalho com a pastoral da saúde também era uma forma de evangelizar, sendo esta bem Palotina - "Cada qual no próprio estado, na própria condição, de acordo com os seus próprios dons", O Pe. Senito dedicou-se ativamente a tal propósito. Atendeu muitas pessoas, proporcionando-lhes o auxílio e a cura necessários. Durante horas, dia ou noite, num desprendimento pessoal, realizou a sua missão, servindo ao próximo, para que ele tivesse a saúde do corpo e da alma.

3°. O ser comunidade cristã: em seus trabalhos paroquiais, tinha o cuidado de possibilitar e dar o espaço para todos. As principais decisões da comunidade paroquial eram tomadas em conjunto. Nessa dinâmica, a minha presença ao seu lado, durante os seis anos, se configurou muito mais como um confrade que um vigário paroquial. Por fim, lembra-se que, se a família sonhou com um padre advindo de seu lar, hoje ela pode ter a certeza da presença de um filho padre intercessor junto ao Pai!"

Inúmeras foram as mensagens enviadas para a comunidade Palotina, recordando traços da vida e do apostolado Palotino; aqui, com carinho, se descreve ainda as palavras da irmã do Pe. Senito, Solange Durigon, que expressa todo carinho e amor que a família tinha por ele: "Querido e Amado Senito. Quanto Amor... Em tua vida mostraste-me (nos) o que significa amar: Desapego, dedicação, abnegação, amor incondicional. Eras apenas um, mas tua partida deixou um espaço tão grande, um vazio... parece até que muitos partiram. Difícil é nos acostumarmos com a tua ausência. Estás no conforto de cada abraço, nas palavras amigas. E, quando o silêncio e a angústia afligem meu coração, uma onda ou uma energia me conforta. Estás mais presente do que nunca!

Agora aprendi o que é saudade: é uma dor que arde no peito, dá um nó na garganta e brota em forma de lágrimas. Mas saudade só se sente de quem se ama. Em tua vida semeaste amor, MANO VELHO, BOM COMPANHEIRO. Nossa família teve o privilégio de teres nascido nela. Mas eras de todos. Sempre tinhas tempo para todos. Cometeste erros? Deves ter cometido, pois eras humano. Cuidaste pouco de ti. Ou será que era para ser assim? Para nos acostumarmos aos poucos com a tua ausência? Tinhas outras missões. Como um guerreiro, suportaste bravamente as dores. Estavas sempre melhorando. Queríamos-te mais, por mais tempo. Mas tiveste que partir. Ficamos órfãos da tua presença física. Mas estarás sempre presente em nossas lembranças e em nossos corações. Como uma onda, como um calor intenso. Estás em DEUS, és de DEUS. Seguiremos em frente. Na coragem dos nossos pais, nas boas lembranças da tua presença tão intensa, nos teus ensinamentos. Amo-te para sempre, meu querido e eterno irmão."

Terminada a eucaristia, na saída da Igreja, enquanto seu corpo era conduzido ao carro fúnebre, houve uma saudação de aplausos ao corpo do sacerdote que estava deixando sua comunidade e era levado para Vale Vêneto, onde, às 18h15min, feita a encomendação e a bênção da sepultura, foi sepultado no Cemitério dos Padres e Irmãos Palotinos.

Agora, movidos pela esperança, fé e amor, rezamos para que alcances a bondade, a misericórdia do Pai e a felicidade eterna!