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Notícias

23/05/2027 - In Memoriam

Padre Casimiro Facco, SAC (1942–2026)

Servo do Evangelho e peregrino da esperança missionária

No dia 23 de maio de 2026, Vigília de Pentecostes e Festa de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, a Província Nossa Senhora Conquistadora dos Padres e Irmãos Palotinos despediu-se de um de seus filhos mais queridos: o Pe. Casimiro Facco. Sua partida, ocorrida serenamente por volta das 8h30 da manhã, na Comunidade Padre Caetano Pagliuca, em Santa Maria (RS), encerrou uma história de 83 anos de vida e 55 anos de ministério sacerdotal, inteiramente dedicados ao Evangelho, à formação das vocações e à missão.

Nascido em 14 de dezembro de 1942, em Nova Palma (RS), era filho de Júlio e Graciosa Facco. Cresceu em uma família simples, numerosa e profundamente cristã, sendo o quinto entre doze irmãos. Em meio às dificuldades e aos valores cultivados no ambiente familiar, aprendeu desde cedo a importância da fé, da partilha, do trabalho e da solidariedade. Das lembranças da infância, conservava com carinho a vida comunitária, os amigos, o trabalho dos pais e a fé vivida com naturalidade no cotidiano.

Foi ainda menino, servindo como coroinha, que sentiu os primeiros sinais do chamado de Deus. Com emoção, recordava a visita do Pe. Vitélio Trevisan à sua sala de aula. Ao final da conversa, o sacerdote perguntou quem gostaria de ser padre. Após alguns instantes de silêncio, Casimiro ergueu discretamente o dedo. Anos mais tarde, recordaria aquele momento com simplicidade:

"Pe. Vitélio falou conosco e, no final da conversa, perguntou se alguém queria ser padre. Depois de alguns momentos de silêncio, levantei o dedinho. No ano seguinte, com nove anos, rumei para o Seminário São José, em Faxinal do Soturno."

Aquele gesto singelo transformou-se no início de uma longa história de entrega a Deus e ao povo.

Ingressou no seminário em 13 de fevereiro de 1952. Realizou o noviciado em Augusto Pestana (RS), iniciando oficialmente sua caminhada religiosa em 1962. Entre 1963 e 1970 cursou Filosofia e Teologia no Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria (RS), onde consolidou sua formação humana, espiritual e pastoral. Professou os votos temporários em 02 de fevereiro de 1964 e a profissão perpétua em 02 de fevereiro de 1970. Foi ordenado diácono em 31 de maio daquele ano e recebeu a ordenação presbiteral em 04 de julho de 1970.

Ao aproximar-se dos seus 25 anos de sacerdócio, sintetizou com poucas palavras a espiritualidade que o acompanharia por toda a vida:

"A bondade e a misericórdia de Deus estiveram muito presentes em mim. Disso decorre meu desejo de fazer ação de graças, e nada mais."

Toda a sua existência sacerdotal foi, de fato, uma contínua ação de graças.

Dotado de fina sensibilidade humana e profundo interesse pela formação integral da pessoa, dedicou-se aos estudos de Psicanálise e posteriormente realizou Mestrado em Espiritualidade, em Roma. Buscou constantemente compreender melhor o ser humano para ajudá-lo em seu caminho de amadurecimento pessoal, vocacional e espiritual.

Grande parte de sua vida apostólica foi dedicada à formação. Atuou na animação vocacional, foi professor, reitor, mestre de noviços e responsável pela criação do Curso Propedêutico em Vale Vêneto (RS). Serviu como promotor vocacional da Província Palotina, professor no Seminário Rainha dos Apóstolos, em Vale Vêneto, professor e reitor no Seminário São Vicente Pallotti, em Palotina (PR), reitor e professor no Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria, além de conselheiro provincial. Foi ainda diretor do Período Introdutório Palotino, em Cascavel (PR), e reitor da Casa de Retiros de Santa Maria.

Centenas de seminaristas, religiosos e leigos encontraram nele um orientador atento, um educador exigente e um pai espiritual próximo. Gostava de afirmar:

"Minhas maiores alegrias estiveram relacionadas à formação e ao atendimento pessoal de seminaristas e leigos. Sempre me senti mais à vontade no diálogo pessoal. Creio que Deus me chamou para este caminho e me tomou pela mão."

Entretanto, foi em terras africanas que seu coração missionário encontrou uma de suas expressões mais fecundas. Entre janeiro de 1999 e fevereiro de 2011, e novamente entre 2017 e 2018, dedicou-se à missão em Moçambique, especialmente nas regiões de Maxixe e Inharrime. Ali trabalhou na formação, na evangelização e na vida pastoral das comunidades.

Quando falava da missão africana, emocionava-se profundamente. Repetia com frequência uma frase que se tornou símbolo de sua experiência missionária:

"Tenho aquele povo no coração."

Em suas palavras transpareciam o amor pelos pobres, a admiração pela sabedoria do povo africano e a sensibilidade diante do sofrimento humano. Via na simplicidade daquelas comunidades uma escola de fé, esperança e alegria.

Inspirado por São Vicente Pallotti, acreditava que a missão da Igreja consistia em despertar em cada cristão a consciência de sua vocação apostólica. Em uma de suas reflexões jubilares escreveu:

"O mais importante é reavivar a fé e reacender a caridade em todos os cristãos, animando-os a desempenharem com muito ardor e alegria a sua vocação primordial de apóstolos."

Essa convicção orientou toda a sua vida sacerdotal e religiosa palotina.

Após o retorno definitivo ao Brasil, continuou servindo a Igreja como animador vocacional e vigário paroquial em diversas comunidades, entre elas Dona Francisca (RS), Dourados (MS) e Porto Alegre (RS). Mesmo quando a saúde já apresentava limitações, mantinha vivo o desejo missionário e sonhava em continuar servindo.

Nos últimos anos, residente na Comunidade Padre Caetano Pagliuca, viveu o tempo da enfermidade com serenidade e silenciosa entrega. A demência e outras fragilidades físicas limitaram suas atividades, mas jamais apagaram o testemunho de fé, humildade e confiança em Deus.

No jubileu de 50 anos de sacerdócio, deixou palavras que hoje ressoam como um testamento espiritual:

"Desejo ser perdoado por aquilo que fiz e não deveria ter feito e por aquilo que não fiz e deveria ter feito. Meu desejo é fazer o bem, mas nem sempre tenho feito."

E acrescentava:

"Espero que, com a graça de Deus, a presença de Maria e a intercessão de Pallotti, eu possa continuar caminhando com vocês até a morte. Caminhemos juntos, querendo-nos bem!"

Sua morte, ocorrida na Vigília de Pentecostes e na Festa de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, possui um profundo significado para a espiritualidade palotina. O sacerdote que tantas vezes invocou o Espírito Santo e confiou sua vocação à proteção materna de Maria concluiu sua peregrinação terrena justamente sob esses dois grandes sinais de sua vida espiritual.

O velório, realizado no Patronato, em Santa Maria, reuniu familiares, confrades, amigos e fiéis em momentos de oração e despedida. A Missa de Exéquias foi celebrada no dia 24 de maio, na Igreja Matriz de Vale Vêneto, seguida do sepultamento no cemitério palotino. Chamou a atenção o grande número de manifestações de carinho recebidas durante aqueles dias, e também nas redes sociais da Província, testemunhando o quanto sua presença sacerdotal marcou vidas, comunidades e gerações.

Hoje permanece entre nós a imagem de um sacerdote simples, profundamente humano, apaixonado pela formação das vocações, enamorado da missão e inteiramente dedicado ao Reino de Deus. Sua vida confirma a certeza de que a missão nasce do amor e floresce na entrega.

Na esperança da ressurreição, agradecemos ao Senhor pelo dom da vida do Pe. Casimiro Facco. Que aquele que procurou durante toda a vida "reavivar a fé e reacender a caridade" participe agora da plenitude da vida eterna junto do Pai.

Enfim, Pe. Casimiro carregou muitos povos, muitas vocações, muitas comunidades e muitas histórias no coração; e as ofereceu generosamente a Deus.

Descanse em paz, Pe. Casimiro. Sua memória permanece viva entre nós.

Por Editorial da Revista Palotina.