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06/07/2026 - Notícias

Superior Geral, Pe. Zenon Hanas, profere homilia na celebração dos 50 anos do Massacre de São Patrício

Queridos irmãos e irmãs,

Reunimo-nos hoje nesta igreja da Comunidade Palotina, recentemente colocada sob a proteção de São Vicente Pallotti, juntamente com São Bonifácio. Trata-se de uma igreja que possui uma longa história com a comunidade de língua alemã de Buenos Aires e que, há onze anos, é sede da Região Argentina, do Centro de Espiritualidade Palotina e do Instituto Pallotti de Língua Espanhola.

Agradeço-lhes o trabalho realizado no cultivo da espiritualidade e do carisma herdados do nosso fundador, São Vicente Pallotti. Dou graças à Divina Providência por poder celebrar aqui a Eucaristia, na cidade de Buenos Aires, onde se consumou o martírio de cinco irmãos palotinos na Paróquia de São Patrício, no bairro de Belgrano. Neste ano completam-se exatamente cinquenta anos daqueles acontecimentos.

Agradeço a todos os que prepararam as celebrações deste aniversário e a todos os participantes. Expresso uma gratidão especial às testemunhas daqueles momentos dolorosos e dramáticos, que hoje preservam sua memória e zelam pela verdade histórica.

Hoje nos reunimos para celebrar a Eucaristia, que é a memória viva de Jesus Cristo e a recordação permanente de sua vida e, sobretudo, de sua morte na cruz e de sua ressurreição. É impossível imaginar o cristianismo sem a Eucaristia, nascida durante a Última Ceia, no Cenáculo. Tampouco pode ser compreendido sem a “fração do pão”, que, após a ressurreição, permaneceu entre os discípulos como cumprimento do mandato do Senhor: “Fazei isto em memória de mim”.

Foi precisamente então que os olhos dos discípulos de Emaús se abriram; eles reconheceram o Ressuscitado e compreenderam as Escrituras. Os discípulos de Jesus celebravam a “fração do pão” não para reabrir feridas nem para procurar culpados, mas para descobrir a força do perdão, da reconciliação e de uma vida nova. A Eucaristia tornou-se o “banquete da Vida Nova”, que não é apenas um “cancelamento da dívida”, mas a abertura de um futuro novo. O ser humano é curado do medo paralisante do amanhã e do juízo de Deus.

Na história do martírio dos nossos cinco irmãos, a Eucaristia desempenha um papel fundamental. É um fato profundamente significativo e simbólico que eles tenham morrido na noite de sábado para domingo, em 4 de julho de 1976. A verdade sobre sua morte veio à luz na manhã de domingo, quando os fiéis chegaram à igreja para a celebração da Santa Missa e, com espanto, a encontraram fechada. A Missa não pôde ser celebrada como estava previsto, porque os sacerdotes haviam sido assassinados no coração da noite.

As testemunhas confirmam que, sobre a escrivaninha do Pe. Pedro Dufau, havia uma folha com a homilia dominical já preparada, que ele não chegou a pronunciar. As balas mortais atravessaram seu corpo. Aquela homilia falava da Palavra de Deus, que possui uma força profética e chama à conversão. Permitam-me citar um trecho durante a liturgia de hoje:

“Se lermos atentamente o Antigo Testamento, veremos que os enviados que Deus mandou ao seu povo foram ouvidos muito poucas vezes; em outros casos, foram expulsos ou assassinados, e a mensagem de Deus foi substituída por alguma teoria que parecia mais fácil e mais tolerável...

Outra razão pela qual resistimos à Palavra de Deus é que não queremos mudar de vida. Cada um tem o seu caráter, o seu modo de ser, certos defeitos — porque ninguém é perfeito —, e nos é difícil empreender a luta cotidiana para melhorar e mudar. E é precisamente aqui que a Palavra de Deus coloca o dedo na ferida, porque é, quase por definição, uma palavra que chama à conversão. Se o homem não tivesse nada a mudar, os profetas não seriam necessários. No entanto, a partir do momento em que o profeta condena o pecado do homem e das nações, a sua missão torna-se difícil e desagradável. E o meio utilizado desde sempre para nem sequer ter a ocasião de ouvi-los foi afastá-los do caminho, aprisioná-los ou matá-los.”

Queridos irmãos e irmãs, as palavras escritas pelo padre Pedro adquirem para nós um significado especial. Tornam-se uma espécie de testamento e um convite a refletir profundamente sobre a força da Palavra de Deus.

Nesse contexto, vale a pena recordar outro fato. Em Roma, na Ilha Tiberina, encontra-se a Basílica de São Bartolomeu (Santuário dos Novos Mártires dos Séculos XX e XXI). Esse templo está confiado aos cuidados da Comunidade de Sant'Egidio, conhecida por seu compromisso com a paz no mundo.

No dia 2 de fevereiro de 2018, durante a oração das vésperas dessa comunidade, foram entregues à basílica o cálice e a patena que nossos irmãos haviam utilizado repetidamente para celebrar o Santo Sacrifício. Essas relíquias foram colocadas sobre o altar dedicado aos mártires da América. A celebração foi presidida por Dom Oscar Vicente Ojea, bispo de San Isidro e presidente da Conferência Episcopal Argentina, na presença do vice-presidente, Dom Marcelo Colombo, bispo de La Rioja.

Também hoje, no quinquagésimo aniversário daqueles acontecimentos, celebramos a Eucaristia que nossos irmãos não puderam iniciar naquela ocasião. Unimos a memória de sua vida e de sua morte à memória de Jesus Cristo, que nos revelou o amor infinito e a misericórdia do Pai. Nós os recordamos no contexto da Santa Missa, que é o grande convite de Deus dirigido a toda pessoa: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.”

A Eucaristia, na qual partilhamos o pão e a Palavra de Deus, é uma escola de vida. Nela aprendemos — como diz a passagem de hoje da Primeira Carta de São Pedro — a adorar o Senhor Jesus Cristo em nossos corações, estando sempre prontos a dar a razão da esperança que há em nós a todo aquele que a pedir.

É também o lugar onde fortalecemos a nossa fé no cumprimento das promessas de Deus. O profeta Zacarias fala poeticamente da promessa de uma paz que não se estabelece pela força, por drones mortíferos ou mísseis balísticos guiados por inteligência artificial. A paz de Deus nasce da transformação dos corações humanos e da humildade. O profeta escreve:

“Eis que o teu rei vem a ti. Ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta. Fará desaparecer os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém; o arco de guerra será quebrado; anunciará a paz às nações, e seu domínio se estenderá de mar a mar.”

Ao mesmo tempo, a Eucaristia é o âmbito do qual extraímos as forças espirituais para as lutas cotidianas “para melhorar e transformar”, das quais escrevia o Pe. Pedro. São Pedro Apóstolo, testemunha privilegiada da vida, morte e ressurreição do Senhor, escrevia há dois mil anos aos primeiros cristãos:

“E, se tiverem de sofrer por causa da justiça, felizes são vocês! Não tenham medo nem se perturbem; ao contrário... Respondam sempre com mansidão e respeito, com a consciência reta, para que, quando falarem mal de vocês, fiquem envergonhados aqueles que caluniam a boa conduta de vocês em Cristo. Pois é melhor sofrer praticando o bem, se essa é a vontade de Deus, do que praticando o mal.”

Queridos irmãos e irmãs:

A Eucaristia celebrada neste lugar sagrado e por ocasião do cinquentenário do massacre de nossos cinco irmãos comove nossos corações e nossas mentes, convidando-nos a uma profunda reflexão. A liturgia que ficou inconclusa há meio século pode tornar-se, para alguns de nós, um convite a descobrir a vocação sacerdotal, cuja missão é anunciar os mistérios de Deus e convidar todos para a mesa do Senhor. O medo, o sofrimento e a fé de nossos cinco irmãos podem tornar-se, para outros, a fonte para descobrir os valores mais importantes e o verdadeiro sentido da vida humana.

Recentemente, o papa Leão publicou a encíclica sobre a esplêndida dignidade do ser humano, “Magnifica Humanitas”. Nela encontramos palavras que podem constituir uma perfeita síntese de nossas reflexões de hoje:

“A espiritualidade de que necessitamos é uma espiritualidade eucarística, isto é, uma espiritualidade de comunhão eclesial no amor. A Encarnação e a Ressurreição revelam um Deus que entra em nossa condição humana e a transforma em dom de si mesmo. Esse dom permanece presente e eficaz na Eucaristia, na qual o Senhor se oferece a si mesmo e reúne a Igreja, para que o seu sacrifício seja princípio de unidade e fonte de vida nova.”

Rezemos hoje, neste novo aniversário do martírio de cinco irmãos palotinos, para que uma espiritualidade eucarística penetre em nossa vida humana e a transforme em dom de si mesma. Que o sacrifício de Jesus Cristo e o nosso, como seus discípulos, se torne princípio e fonte de vida nova, de perdão e de paz para a humanidade ferida.


Superior Geral

Pe. Zenon Hanas, SAC

5 de julho de 2026